quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

À quatro mãos

Quando as letras estiverem escritas,
já não serei eu talves, que as diga;
quem sabe, uma alma que as siga
nas asas, que o próprio vento agita.

Quando a prosa já não mais tiver
papas na língua, nem doce saliva,
que desprendeu-se da rima cativa,
não serei eu, o verso que houver.

Virá o verso, acostumado que está,
a tecer rimas que falavam de dor,
desdenhando belezas que outrora tinha.

Rimará a leveza da falta da vida que há,
achando simples agora, falar de amor;
entendendo enfim, o poema que vinha.

Um comentário:

Manu Rocha disse...

Poeta, que linda escrita!!!
Beijos e paz!